8.9.09

post na E_R sobre amadorismo

Amadorismo_

Amadorismo passou a ter uma conotação pejorativa só depois do conceito de profissionalismo surgir. Se profissional é quem seguiu uma determinada carreira e foi chancelado por alguma instituição através de um certificado, seguindo o mesmo raciocínio amador é quem aprende por si só ou de forma improvisada. Alguém que gosta de gambiarras e que faz, mas deixa meia-boca.

Acontece que o acesso às informações e ao conhecimento se difundiu de uma maneira tão espetacular nos últimos anos, que uma criança de 10 anos consegue fazer um programa de computador Best-seller sem ter passado perto de nenhuma instituição, a não ser a escola (e acredito, não foi lá q ele aprendeu isso). Motivação? Sim, queria ensinar a irmã mais nova a desenhar.. e lhe pareceu mais natural fazer isso num iPod do que no papel.

O hacker Muslix64 desvendou o código de criptografia da tecnologia Blu-ray, que substitui o atual DVD como novo padrão de vídeo. O código hexadecimal (09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0), segredo guardado a sete chaves, agora revelado em todos os cantos da blogosfera, libera para qualquer outro hacker a possibilidade de destravar a chave que impede a pirataria nestes dispositivos. Isto desestabilizou toda uma indústria e sobretudo uma lógica de fazer negócios na industria cultural, que atua dentro do conceito fabricado de escassez.

Milhares de programadores profissionais fazem o Internet Explorer da Microsoft. Milhões de amadores fazem o Firefox. Qual é o melhor, mais seguro, mais compatível e dentro dos padrões amplamente aceitos?

Em seu ótimo artigo ‘Colaboração Voluntária: estamos prontos para aproveitar o poder das... ’, Bruno Ayres trás um conceito dos anos 20, “renda psíquica, valor subjetivo de satisfação adquirida a partir de uma atividade” (Fetter & Fisher). Em resumo, “paga-se com amor e não dinheiro” (Groundswell).

Voltemos à origem do termo. Amador, é quem faz por ((( amor ))).

post completo aqui

21.9.06

FESTrekking >

> estamos em goiânia iniciando os preparativos para acontecer nos meses de outubro e novembro uma espécie de festival de arte e cultura. A idéia, como sempre, é combinar os diversos talentos e recursos para “realizar”...no entanto dessa vez com mais uma ambição: fazer disso o nosso job...ou seja, profissionalmente viável, conceitualmente magnífico.

> o que acontecerá: 1) workshop de arte e design, com técnicas artísticas analógicas e digitais; aulas de percepção visual e musical (com os coletivos goiastexas e microponto), aulas de historia da arte e design; cursos (desenho, gravura, ilustraçao e dj, por enquanto); 2) palestras (sobre redes de colaboração e trabalho voluntário, por enquanto); 3) loja para venda de objetos de arte e design e estabelecimento de contatos através do portfólio dos artistas envolvidos; 4) exibição de filmes (a abdala disponibilizou o acervo do goiânia mostra curtas), 5) festas com o coletivo (((microponto))), 6) bistrô 7) café permanente e 8) exposição do projeto “Trekking Urbano” com debates sobre esse assunto.

Como podem ver são vários projetos dentro de um projeto, por isso estou mandando pra vcs um dos eventos: “trekking urbano”, para que me ajudem como puderem. Essa idéia veio com a experiência q a tay teve em Roma e está sendo adaptada para goiânia, por enquanto, por mim e pela karla.

Projeto TrekkingUrbano > a idéia é fazer uma trilha urbana acompanhando alguns córregos e rios da cidade (na verdade a karla já fez um pré mapeamento com o trajeto acompanhando um trecho do rio meia ponte entrando, em seguida, na cidade pelo córrego botafogo até sua nascente no jardim botânico). A trilha será feita da mesma forma como são feitas as trilhas em ambiente natural com cada um carregando em mochilas as próprias roupas, provisões e equipamentos de camping e pesquisa. Os locais de acampamento serão previamente escolhidos sendo que a trilha irá ter uma duração de 3 dias e 2 noites.

O principal objetivo é, percorrendo os cursos de água, poder observar as transformações e influências que os rios e a natureza (que são elementos referenciais nas trilhas em ambiente natural) sofrem e provocam na cidade.

Para tanto o grupo se constituirá de profissionais e estudantes de áreas distintas como arquitetura, urbanismo, turismo, biologia e design. Cada um estará empenhado na observação e registro dos elementos que constituem a paisagem e ambiente urbano. Os critérios para recolhimento e formatação do material serão definidos em um projeto de pesquisa acadêmico.

No que eu preciso de ajuda:

> A formatação acadêmica e a idéia sobre o que iremos fazer com isso (projeto de pesquisa? pedido de apoio institucional? Contato com o http://www.campagnaromana.net/? Ou com o http://www.eesc.usp.br/nomads/?)

> estimativa de estrutura, pessoal, providencias legais e custos

> opiniões e inspiração!

Beijos! fabíola


Fabíola, adorei!!!!
Vou pensar nessas questões colocadas e envio um e-mail.
Mas preciso de umas informações se vamos fechar um perfil dos alunos ou se será livre e se vamos estipular um limite de pessoas no grupo.
Isto é para ver como faremos o convite para as pessoas por aqui.
Preciso saber também se no dia 16 de outubro podemos ir no Nomads, 16 cai numa segunda-feira. Se para você estiver ok, já faço o contato com o Marcelo Tramontano e com a Anja.
Bjs Rô


Oi Fá,
Enviei o e-mail para o pessoal do Nomads http://www.eesc.usp.br/nomads/, a idéia é fazer um contato com eles na semana que vem e já agendar um outro contato no período da sua vinda.
Bjs RÔ
O e-mail enviado

Olá Anja.
Não sei se lembra de mim mas nos conhecemos no Itaú Cultural no evento Emoção Artificial - interface cibernética.
Sou amiga da Fernanda Borba meu nome é Roberta sou da Unesp de Bauru, lembrou?
Então, estamos montando uma proposta de trabalho interdisciplinar colaborativo entre universidades Unesp - Bauru, UCG (Universidade Católica de Goiás) e a Universitá degli Studi di Roma La Sapienza e voces (se aceitarem o convite)
Mas antes gostaria de conversar com você melhor sobre o projeto.
Será que você tem disponibilidade para conversar na próxiama segunda-feira dia 25 de setembro de manhã. Sei que está em cima da hora e sei também que você é muito ocupada mas esse semestre estou com muitas aulas e estou com o horário bem justo.
Gostaria muito de desenvolver esse trabalho com você e o Nomads e acho que a experiência de todos será de grande importâcia.
Bjs aguardo retorno.
Luz, Roberta.


ai que ta...nao tenho nada definido alem disso q passei pra vcs. a karla esta pensando em percorrer alguns trechos para sentir as dificuldades. a festa de lançamento do nosso festival sera dia 11 de outubro...a ideia e apresentar todas as propostas nessa data (trekking, workshops, loja e tals) e na semana depois do feriado (12/10) as coisas começarem a funcionar para o publico.
entao a minha sugestao para o trekking é a seguinte:
montarmos um pré-portfolio do projeto ate dia 11/10 com fotos feitas em uma pré-expediçao + conceitos + inicio da formação do grupo que, no periodo em que estiver acontecendo o festival (mas ja em novembro) ira fazer a trilha. minha sugestao e que esse primeiro grupo seja constituido de pessoas conhecidas, brothers...inclusive brothers estudantes para legitimar o aspecto academico dessa historia (roberta, levamos esse pre-portfolio no nomads dia 16?).
o objetivo dessa trilha sera formar um segundo portfolio, do caralho, para conseguirmos apoio para a proxima trilha (no ano q vem) com esquema completo aberto a pessoas de fora e com o objetivo de realizar um documentario...q vcs acham?
a tay acha bobagem os caminhantes carregarem suas mochilas...ou seja, carro de apoio...precisamos estimar os custos.
bjs!fabiola

3.5.06

trabalho e amadorismo


Fabiano Morais estará no Estúdio Pop falando sobre um novo paradigma do trabalho: O amadorismo como alternativa! O talento e o prazer como atores principais. A migração do pleno emprego para a vida plena.

Serão apresentadas experiências de redes de trabalho colaborativo, voluntariado na internet e teletrabalho.

O encontro será no Estúdio POP, nesta quinta-feira, 4 de maio as 19hs. Entrada franca.
Informações: 3215-4133 ou pelo email danielaffiuza@gmail.com / fabiano@moov.com.br

Rua 27, 70, Setor Oeste, Goiânia
(entre a Praça do Sol e República do Líbano)

Voluntariado em rede

Decidimos nos juntar para escrever este artigo – um administrador e um analista de sistemas. Nelson Rodrigues diria que a junção destas disciplinas teria “a aridez de três desertos...”. Mesmo concordando, também conhecemos o lado quente e humano do que estudamos um dia. Conversando sobre nossos interesses atuais: ação voluntária, tecnologia, redes e relacionamentos, vimos que a evolução da administração tem algo a nos dizer sobre a maneira como gerimos nossas iniciativas sociais.

A gestão do voluntariado pode ser analisada por pelo menos duas perspectivas. A primeira, que chamamos aqui de “fordista”(1), percebe o voluntário como instrumento de assistência, que deve se engajar em moldes semelhantes aos de um emprego ou trabalho formal. Cumpridor de ordens e normas, este voluntário é encorajado a se envolver em ações prontas, criadas e planejadas por um ente maior (organização social ou empresa). Seu trabalho tende a ser institucionalizado e não é surpresa mensurá-lo em horas trabalhadas e avaliá-lo por critérios quantitativos.

A outra perspectiva, que chamaremos aqui de “voluntário para voluntário” (V2V)(2) ou “voluntariado em rede”, vê o voluntário como agente e promotor de suas próprias ações, muitas vezes realizadas em um grupo que compartilha valores semelhantes. Ciente de si, de seus talentos e do contexto em que está inserido, este voluntário, natural e espontaneamente, age sobre sua realidade e estabelece relacionamentos com seus pares (muitas vezes, vizinhos, colegas de trabalho, os pais dos colegas da escola do seu filho e assim por diante).


Clique aqui para ler o artigo completo

Coletivos Inteligentes

Alguns fatores convergentes como a rápida evolução dos transportes e comunicação, flexibilidade(1) na produção de bens, robotização da produção, deslocamento do trabalho para o setor de serviços e a crise do trabalho assalariado (até então chamada “graciosamente” de desemprego estrutural) contribuem para o surgimento de uma nova forma de interação entre as pessoas.

Neste artigo, procuro explorar o impacto destas transformações, sobretudo no indivíduo, que passa a assumir um “estado móvel”(2) e nas novas possibilidades que se abrem a partir do teletrabalho.

Clique aqui para ler o artigo completo

Rede



Quanto mais um regime político, uma cultura, uma forma econômica ou um estilo de organização tem afinidade com o adensamento das interconexões, mais sobreviverá e brilhará no ambiente contemporâneo. A melhor maneira de manter e desenvolver uma coletividade não é mais erguer, manter ou estender fronteiras, mas alimentar a quantidade e melhorar a qualidade das relações em seu próprio interior, assim como com as outras coletividades. LEVY

Institucionalização

A institucionalização das relações impõe uma existência objetiva, que para perpetuar-se não mais precisa de engajamento afetivo, da adesão vivida dos seus membros. A institucionalização tem precisamente por função garantir a persistência do elo, independentemente da persistência do engajamento afetivo de cada membro. GORZ

trabalho x tortura

A palavra trabalho vem do latin tripalium (século V): instrumento de tortura

Quanto mais é frágil a renda básica, mais “a incitação” a aceitar não importa qual trabalho será imperativa e mais também se desenvolverá um patronato de “negreiros” especializado no emprego de uma mão de obra barata em empresas altamente voláteis de locação e de sublocação de serviços.

Suas atividades prático-sensoriais foram reduzidas a uma extrema pobreza, seus corpos suas sensibilidades, foram colocadas em parêntesis (misérias do presente, riqueza do possível, Gorz)

Esvazio-use a noção de sacrifício. Acabou-se a época da devoção absolutamente desinteressada. A entrega ao futuro converteu-se em apropriação do presente. (Lipovetsky, Apresentação)

trabalho imaterial

O trabalho que desaparece é o trabalho abstrato, o trabalho em si, mensurável, quantificavel, separável da pessoa que o “fornece”, suscetível de ser comprado e vendido no “mercado de trabalho.

Quando a inteligência e a imaginação tornam-se a principal força produtiva, o tempo de trabalho deixa de ser medida do trabalho, mais ainda, ele deixa de ser mensurável.

Trabalhador, trabalho e força de trabalho tendem a unificar-se nas pessoas que se produzem a si mesmas. E esta produção se dá, alem dos locais de trabalho, nas escolas, cafés, estádios, viagens, teatros, concertos, jornais, livros, bairros, grupos de discussão, enfim ali onde os indivíduos relacionam-se e produzem o universo das relações sociais.

ANDRÉ GORZ
Misérias do Presente, Riqueza do Possível.
O Trabalho Imaterial

o relógio


O relógio, talvez seja o mais fascinante instrumento da racionalização. Teve origem na idade media, nos monastérios: lugar de rotinas reguladas e ordenadas. “ayudaron a dar a la empresa humana el latido y el ritmo relgulares y colectivos de la máquina”.
No século XIV o relógio se popularizou. As horas e minutos divididos em sessenta pulsos cada criou um ponto de referencia abstrato e assim surgiram virtudes como a “pontualidade” e aberrações como a “perda de tempo”.
“Mas este enclausuramento geométrico do tempo não ocorreu sem violência: os organizmos humanos tiveram que sofrer uma serie de operações para adaptar-se aos novos compassos.”
Livro: El hombre postorgánico, cuerpo, subjetividad y tecnologias digitales, pg 19